Era uma vez …
Era uma vez uma menina que só sabia conjugar verbos no gerúndio. Todas as suas ações, todas as suas histórias pareciam estar em um estado de continuar para sempre … Era um tal de amando, chorando, vivendo, gostando …
Daí, esta menina sofreu um acidente. Sofreu um acidente, se deprimiu, se recuperou, se envolveu com uma galera da pesada, mudou seus sentimentos. Agora, pobre menina, só sabe conjugar os verbos no pretérito perfeito (que a lembra, com tristeza, o quão perfeito realmente era sua vida): amei, chorei, vivi, gostei …
A menina, pobrezinha, por achar certo o que fazia, acabou ela mesma tornando-se o pretérito imperfeito … Morria.